FESTIVAIS NATIVISTAS
Sem dúvida nenhuma, os festivais
nativistas já fazem parte do cenário cultural do Rio Grande do Sul, e deveriam
estar em todos os impressos informativos dos órgãos de cultura como um
patrimônio do estado e condicionados a preservação, porque estes são eventos
mantenedores da identidade cultural e responsáveis pela renovação da música
gaúcha sem perder suas raízes, além de renovarem a cada espaço de tempo, novos
talentos e ainda servirem de oficinas dando a cultura o significado
necessário.
Tendo como ponto de partida a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, o
movimento se estendeu a todo o Rio Grande do Sul e aos estados de Santa
Catarina e Paraná.
Sendo o único estado do mundo a ter um movimento desta envergadura, ou seja,
voltado para cultura da terra, sua importância não se limita apenas a
apresentação de musicas, envolvendo também outros aspectos, pois a cada cidade
que um festival é organizado movimenta-se a economia e o lado emocional de uma
comunidade uma vez que há aproxima dos valores artísticos do seu estado.
Além disso, muitos dos grandes poetas, cantores e instrumentistas são frutos
deste movimento, porque foi ali sua maior vitrine, seu crescimento e
amadurecimento, cito aqui Leopoldo Rassier,
César Passarinho (in memorian),
Marco Aurélio Vasconcelos, José Claudio
Machado, Jari Terres, Lisandro Amaral
entre outros. Na linguagem poética, Xirú
Antunes, Gujo
Teixeira, Sérgio Carvalho Pereira, Carlos Omar Vilela Gomes, Rodrigo Bauer e
instrumentalmente falando, Leonel Gomez, Marcello Caminha,
Luciano Maia, Egbert
Parada e outros tantos que não posso enumerar aqui porque são números
infinitos.
Luiz Marenco nasce
desta vertente no ano de 1999 e já registrou mais de 250 composições gravadas
nos discos dos inúmeros festivais que participou entre as muitas premiações
recebidas, pode-se destacar:
- Forasteiro - vencedora da Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana;
- Milongão Pra Assobiar Desencilhando - vencedora do Um Canto Para Martin Fierro de Santana do Livramento;
- Charla de Domador - vencedora do Chamamento do Pampa de Passo Fundo;
- Sovando Um Pelego - vencedora do Reponte da Canção de São Lourenço do Sul;
- Quando o Verso Vem Pras Casa - vencedora da Tafona da Canção Nativa de Osório;
- Esse Jeito de Domingo - vencedora do Terra e Cor de Pedro Osório;
- Um Vistaço na Tropa, Estrela D'alva e Porque Canto Solito - vencedoras da Reculuta da Canção Crioula de Guaíba;
- Funeral de Coxilha e Os Silêncios Das Janelas do Povoado - vencedoras da Estância da Canção Gaucha de São Gabriel;
- Senhor Das Manhãs de Maio - vencedora do Candeeiro da Canção de Restinga Seca
- Os da Última Tropa - vencedora do Grito do Nativismo Gaucho de Jaguari;
- Milonga de Mil Colores - vencedora do Festival da Música Crioula de Santiago;
- Silêncio e Luz, Campereando e Contigo Me Vou de Tiro - vencedoras da Sapecada da Canção Nativa de Lages – Santa Catarina;
- Batendo Água – participou da Coxilha Nativista de Cruz Alta entre muitas outras.
A criação poético-musical é visível no estado do Rio Grande do Sul graças a este movimento dando uma imensidão ao acervo cultural deste estado que caminha para uma identidade cultural própria definida principalmente pelos festivais nativistas.
XIRÚ
ANTUNES
INVERNO/JULHO/2008
LUA MINGUANTE